Definições

Por Carla Bottino

Qual é o modelo, o formato, a configuração de uma empresa familiar?

– Uma empresa que pertence a uma família mas é administrada por pessoas que não são da família pode ser considerada uma empresa familiar?

– Se uma empresa pertence a uma multinacional e é administrada por uma família pode ser considerada uma empresa familiar?

– As empresas em que os sócios/ fundadores não são parentes mas, os filhos de ambos trabalham na empresa, pode ser considerada uma empresa familiar?

Existem várias definições de empresas familiares, mas, para a grande maioria das pessoas, uma característica desse tipo de empresa é a proximidade existente entre família e empresa. Isso é, os membros de uma mesma família são os controladores (acionistas) ou os gestores da empresa.

Em recente revisão bibliográfica encontramos mais de 30 definições diferentes de empresas familiares, a saber:

Para alguns autores a empresa familiar só nasce na 2ª geração de dirigentes. Na gestão do fundador, trata-se apenas de uma “empresa pessoal”
Para outros as empresas familiares são aquelas em que mais de um membro é afetado pelas decisões da empresa. Ou seja, se marido e mulher conversam sobre a empresa em casa e decidem coisas juntos, ela já pode ser considerada uma empresa familiar
Ou ainda, ter 2 membros da família participando da administração; A família possuir 51% das ações, etc.
A seguir destacamos algumas definições utilizadas em pesquisas acadêmicas.

“A não ser as empresas criadas pelo governo, todas as empresas na origem, tiveram um fundador ou um pequeno grupo de fundadores que eram seus donos. As ações e cotas da empresa seriam provavelmente herdadas por seus filhos. Portanto, praticamente todas as empresas foram familiares na origem.” (Vidigal, 1996).

“A empresa familiar é aquela que se identifica com uma família há pelo menos duas gerações e quando essa ligação resulta numa influência recíproca na política geral da empresa e nos interesses e objetivos da família

a sucessão dos cargos administrativos é determinada pelos laços de família;
os valores institucionais importantes da empresa identificam-se com uma família
os parentes sentem-se obrigados a ficar com ações por razões muito mais do que puramente financeiras, geralmente afetivas” (Donnelley, 1967).

“Empresa familiar é aquela em que existe o envolvimento de pelo menos dois membros da família na administração e, ou no controle acionário da empresa, independente de estar na 1ª ou 2ª geração. A reprodução de crenças e valores familiares na empresa, a distribuição dos cargos mais importantes entre os membros da família, a “obrigação” de dar continuidade aos negócios familiares, o maior ou menor envolvimento da família na empresa (e vice-versa), a valorização (ou supervalorização) dos laços afetivos entre os familiares e entre os funcionários são conseqüências e especificidades deste tipo de organização.” (Bottino-Antonaccio, 2007).

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