Dados sobre o empreendedorismo no Brasil – Muita atenção ao recorte utilizado na pesquisa

Quem estuda “empresas familiares” e “empreendedorismo” sabe que não existe uma única definição para tais termos e, os resultados de qualquer pesquisa estão sempre relacionados com o conceito utilizado.
Essa é uma premissa básica para analisar os dados de uma pesquisa.

Por exemplo, existe uma pesquisa do IBGE sobre demografia de empresas e estatísticas de empreendedorismo no Brasil, onde são consideradas apenas as empresas formalizadas, inscritas no cadastro nacional de pessoa jurídica (CNPJ) e de alto crescimento (ou seja, com crescimento médio de pessoal ocupado assalariado maior de 20% ao ano, por 1 período de 3 anos).

Existe uma outra pesquisa importante – GEM – Global Entrepreneurship Monitor (Monitoramento Global do Empreendedorismo), realizada em 50 países, que é no Brasil conduzida pelo IBQP – Instituto Brasileiro de Qualidade e Produtividade em parceria com o Sebrae – Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas.

No GEM, empreendedorismo é qualquer tentativa de empreender, de iniciar um novo negócio e são consideradas todas as ideias, inclusive os negócios não formalizados que ainda não geram renda para o empreendedor e não possui funcionários.

São duas pesquisas de grande relevância para as temáticas envolvidas, mas que, apesar de falarem sobre empreendedorismo trazem dados muito diferentes. Já fiz um post falando sobre o GEM, hoje vou falar sobre o estudo do IBGE.

Demografia de Empresas e Estatística sobre Empreendedorismo no Brasil

O IBGE é o principal órgão de produção e disseminação de informações oficiais do Brasil. Ele segue padrões e metodologias utilizados no mundo inteiro para que as pesquisas possam ser comparadas com as dos outros países.

O objetivo deste estudo Demografia de Empresas e Estatística sobre Empreendedorismo no Brasil é analisar alguns padrões, movimentos de entrada, sobrevivência e saída de empresas brasileiras formais do mercado, utilizando de conceitos definidos pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico. Neste post vou apresentar apenas o dado sobre a sobrevivência das empresas, mas quem tiver interesse pode entrar no site da instituto e ter acesso ao documento por aqui

Para este estudo, empreendedores são necessariamente donos de negócios que buscam gerar valor por meio da criação ou expansão de alguma atividade econômica, identificando e explorando novos produtos processos e mercados.

Como escrevi a cima, as empresas de alto crescimento apresentam crescimento médio de pessoal ocupado, assalariado de pelo menos 20% ao ano por um período de 3 anos e têm 10 ou mais pessoas assalariadas no ano inicial de observação. Dito isso, todas as empresas que não atendem a esses requisitos não estão contempladas nesta pesquisa.

Sobrevivência das empresas

A taxa de sobrevivência das empresas variou ao longo do período estudado. As empresas nascidas em 2008 foram as que apresentaram as maiores taxas de sobrevivência ( 81,5% estavam em atividade após 1 anos e 47,8 % sobreviveram após 5 anos ) e as menores taxas foram nas empresas nascidas em 2013 (com 71,9% após 1 ano) .

Taxa de sobrevivência das empresas (de alto crescimento) criadas em 2012
• 78,9% – após 1 ano
• 64,5% – após 2 anos
• 55% – após 3 anos
• 42,7% – após 4 anos
• 39,8% – após 5 anos

Em outras palavras, apenas 40 % das empresas de alto crescimento, abertas em 2012, estavam em atividade em 2017, o que nos mostra a alta taxa de mortalidade das empresas brasileiras, formalizadas, com 10 ou mais funcionários. Neste estudo não foram apresentadas as causas para o fechamento das empresas, mas a falta de planejamento pode ser uma delas.

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