O caso Grappa Nardini – 24/03/2009

O caso do grupo Grappa Nardini pode ser lido no link:

http://opiniaoenoticia.com.br/economia/negocios/grappa-nardini/

Desta vez vamos falar de uma empresa italiana, que já tem 230 anos e está na sexta geração. Bortolo Nardini começou a fabricar grapa no mesmo local onde a sede da moderna empresa está até hoje, na cidade de Bassano del Grappa, à beira do rio Brenta. O rio é cortado por uma ponte coberta chamada “Ponte Vecchio” (não confundir com a ponte de mesmo nome situada em Florença) e a entrada da empresa é pelo começo da ponte. Seu endereço: Ponte Vecchio, 2. A produção já mudou para instalações maiores há muito tempo, mas a família faz questão de manter a sede no endereço tradicional. Foi lá que entrevistamos alguns membros da família Nardini.

A empresa começou produzindo grapa, que é uma aguardente destilada da uva (diferentemente do vinho que é fermentado) e vendendo-a localmente, mas aos poucos diversificou para outras bebidas como maraschino, curaçao, fernet, tamarindo e outras. O mercado foi sendo expandido, com as caixas de bebida sendo levadas em barcos que desciam o rio em direção a Veneza.

A ponte é importante do ponto de vista militar, e a empresa já sofreu vários ataques por exércitos que passavam, desde o de Napoleão até os de alemães na Segunda Guerra Mundial. Estes dinamitaram a ponte e a produção ficou interrompida por um ano.

Vamos examinar as diversas sucessões de geração para geração:

1ª transição: o fundador Bortolo tinha um filho e duas filhas e seguindo a tradição italiana de mulheres não herdarem empresas deixou o negócio para o filho Antonio. (O membro da sexta geração que entrevistamos, também chamado Antonio, disse num tom condescendente: “A gente dava uma pequena casa para elas e elas ficavam felizes”.)

2ª transição: Antonio teve seis filhos e cinco filhas. Deixou a empresa para o filho mais velho, chamado Bortolo (pronunciado “Bôrtolo) e inaugurou a tradição de alternar os nomes Antonio e Bortolo.

3ª transição: Bortolo teve três filhos e duas filhas. As filhas não herdaram, mas os três filhos homens herdaram em partes iguais, com o mais velho, Antonio, como presidente.

4ª transição: Um dos três irmãos não teve filhos e deixou suas ações para os sobrinhos homens. Os outros dois também deixaram para os filhos homens, dois de cada um dos irmãos. O novo presidente foi Bortolo, filho mais velho de Antonio.

5ª transição: Aqui um imprevisto aconteceu. Bortolo teve uma única filha, Maria Elisabetta. A família se adaptou mudando as regras: Maria Elisabetta herdou e foi aceita como membro do conselho. O novo presidente foi (e ainda é) seu primo Giuseppe. Maria Elisabetta casou-se com um homem de sobrenome Guarda, e seu filho se chama Antonio Guarda-Nardini. Ele foi aceito na gestão e no conselho, e herdará ações, mas seu nome não consta da árvore genealógica oficial da família, por ser filho de uma mulher.

Análise final: a família demonstrou uma flexibilidade grande ao se adaptar a cada nova circunstância. A tradição italiana de deixar a herança apenas para os homens (que perdura até hoje em algumas empresas brasileiras de descendentes de italianos) foi quebrada quando houve uma razão para isso. A reconcentração do capital a cada geração foi importante. O fato de a empresa ter contratado consultores especializados para criar um Acordo de Família, e ela ser líder de mercado, nos leva a achar que a empresa pode continuar bem-sucedida nas mãos da família por muitas gerações.

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