O caso do Grupo Votorantim

O caso do grupo Votorantim pode ser lido no link:

http://www.opiniaoenoticia.com.br/interna.php?id=22315

O menino português Antonio Pereira Ignácio tinha 10 anos quando chegou ao Brasil em companhia do pai, em 1894. Acabaram indo parar na cidade de Sorocaba, no interior de São Paulo (a mesma onde aportara, dois anos antes, o imigrante italiano Francesco Matarazzo). Logo o pai teve de voltar para Portugal porque recebeu notícia de que sua mulher estava doente. O menino ficou sozinho e arranjou um emprego como sapateiro. De noite, ele aprendia a ler e escrever. Chegando à idade adulta, ele abriu um armazém. Mais tarde abriu uma empresa que refinava algodão e fabricava seu óleo.

Aos 42 anos, casado e pai de três filhos, Antonio era um homem rico. Decidindo partir para novos voos na indústria ele foi para os Estados Unidos como imigrante e conseguiu um emprego numa fábrica, para entender como funcionava a indústria moderna. Depois de algum tempo, quando foi promovido a supervisor, ele achou que já tinha aprendido bastante e pediu demissão. Reza a lenda que ele convidou seu chefe para jantar num bom restaurante, contou a ele a verdade de porque tinha se empregado lá, e lhe entregou um envelope com todos os cheques de pagamento de seus salários. Ele nunca os tinha depositado porque achava que a empresa já estava lhe dando um aprendizado valioso e que ele não devia receber o dinheiro.

Em 1918 Antonio arremata em leilão uma fábrica de tecidos de algodão que tinha falido. Ela se chamava Votorantim, e ficava no bairro do mesmo nome, no município de Sorocaba. Pouco tempo depois sua filha se casa com um jovem pernambucano que havia estudado engenharia nos Estados Unidos chamado José Ermírio de Moraes. O genro foi convidado a trabalhar com o sogro e podemos dizer que nesse momento nasce o moderno Grupo Votorantim. José Ermírio gradualmente distanciou as atividades industriais de produtos básicos como o óleo e os tecidos e começou a fabricar cimento e produtos químicos, nos anos 1930 e 1940. Mais tarde entraram em alumínio e finalmente nos anos 1990 em papel e celulose e criaram um banco.

Embora Antonio tenha vivido até 1951 ele já tinha passado o comando para o genro, gradualmente, nas décadas anteriores. José comprou as ações dos dois cunhados e ficou com o controle total. Na sua gestão o grupo substituiu o Matarazzo como o maior conglomerado industrial do país. Durante as décadas de 1960 e 1970 José gradualmente passou o comando para os três filhos e um genro, todos engenheiros como ele. Na virada para o século XXI essa terceira geração mais uma vez começou uma transição de poder gradual para a quarta, composta de mais de vinte filhos mas representada na empresa por sete primos, todos homens.

De acordo com recente reportagem da revista Exame, o Votorantim é o quinto maior grupo privado do país, tendo faturado R$ 30,4 bilhões em 2007, com lucro de R$ 4,8 bilhões. Tem cerca de 60 mil funcionários. O plano de investimentos até 2012 é de 25 bilhões.

Tentando analisar as razões do sucesso do grupo, podemos pensar em três:
1. A reconcentração do número de sócios. Nossos estudos indicam que quanto menor o número de sócios melhor. O fato de José Ermírio ter comprado a participação de seus dois cunhados pode ter sido um fator importante, nos 50 anos seguintes, para a manutenção da união do grupo.
2. A educação dos filhos. Ao contrário do que ocorre na maioria das empresas familiares, esta família conseguiu educar bem seus filhos, sem estragá-los com excesso de dinheiro. Aparentemente uma ética de trabalho sério tem sido repassada de geração para geração.
3. Estratégia. O grupo tem uma forte vertente de engenharia e se concentrou em poucos produtos em que tem um talento natural para produzir com eficiência.

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