Fundadores

Por Carla Bottino

Os fundadores são figuras centrais quando o assunto são as empresas familiares. Foram eles os responsáveis pelo plantio de uma sementinha no passado que, com muito trabalho, cresceu e deu bons frutos. No passado, os fundadores eram predominantemente do sexo masculino, hoje o número de mulheres empreendedoras já é muito grande. 

Cada fundador tem a sua história, alguns dos fundadores de empresas familiares são (ou eram) imigrantes que vieram para o Brasil com o sonho de “Fazer a América!” e, realmente, fizeram muito pelo nosso país. 

Alguns trabalhos sobre empresas familiares analisam esse tipo de empresa a partir da figura do empreendedor-fundador. Independentemente da motivação inicial para fundar o seu próprio negócio, todos os empreendedores são reconhecidos pelo seu feito e, conforme as gerações passam, o fundador é cada vez mais idolatrado. 

Nas empresas familiares mais novas, nas de 1ª geração, o fundador está muito presente, tende a ser bastante controlador, o centralizador de todas as decisões. No momento não estamos preocupados em fazer a diferenciação entre fundadores do sexo masculino e as do sexo feminino, estamos nos referindo aos fundadores de uma forma geral. 

Com o tempo a empresa cresce, a geração mais nova entra para a empresa, aos poucos, o fundador deve dar espaço para geração que está assumindo os negócios e, pensar em passar o bastão. 

A metáfora da passagem do bastão vem da corrida de revezamento e, como no esporte é muito importante que quem vai pegar o bastão e quem vai entregá-lo para o membro da sua equipe possam correr juntos. O período do trabalho em conjunto – a geração mais velha que será sucedida trabalhando com a geração mais nova, dos sucessores – é descrito como uma fase de grandes dificuldades relacionadas, principalmente, aos possíveis conflitos entre as gerações. 

Esse período só não é mais crítico do que o da passagem do bastão. A sucessão tem sido objeto de diversos estudos, principalmente porque costuma ser nesse momento em que as famílias buscam ajuda de um especialista. 

O fundador, figura que já foi tão idealizada em outros momentos, responsável pelo crescimento do negócio, pode passar a ser retratado como o teimoso que não quer passar o bastão. Em alguns casos, chega-se a responsabilizá-lo pela não continuidade da empresa por não ter planejado a sucessão. 

De fato, em algumas situações pode ser muito difícil passar o bastão, especialmente quando:

– a empresa é a vida do empreendedor;

– o fundador não tem planos para depois da aposentadoria;

– o fundador não tem o seu sustento garantido, ele depende financeiramente da empresa; e etc. 

Cada caso deve ser analisado cuidadosamente e, vale ressaltar que o fundador visionário, extremamente empreendedor que muitos admiram é a mesma pessoa que, anos mais tarde, é responsável por facilitar ou não o processo da passagem do bastão.

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